DOAÇÃO
Querido Augusto,
Sempre me cobrastes palavras
afetuosas como prova de meu amor por ti. Não basta ofertar a ti meu riso, minha
alegria, meu viço e meus dedicados atos de cuidado. Isso sempre foi pouco. O
que mais poderia dar a ti? E o que mais poderia eu receber de ti? Senão dar a si mesmo e receber o outro de
presente. Essa é a maravilha de amar. Mas meus afetos possuem o silêncio
que minha inquieta língua não tem. Dou a ti as minhas lembranças, os meus
suspiros noturnos, meu olhar perdido e a mente vaga das manhãs sem você. Dou a
você a minha saudade, porque é tudo que tenho. Gostaria de ter esperança, mas
sei que ela não existe. Dou a ti a imagem do meu melhor vestido, o olor do meu
melhor perfume. Dedico a ti os vinhos que sirvo a mim mesma no jantar. Dou a ti
a saudade que tenho a cada luz de vela que acendo no cair da noite, as flores
que planto no meu jardim. Dou a você as músicas que ouço. No mais dou a ti a
lágrima que derramo às escondidas, dou a ti o meu silêncio e o desejo que sejas
feliz, hoje e sempre. A ti, que tanto afirmara eu não ser romântica, a ti mais
que a qualquer outro Augusto, dou o que tenho de mais íntimo e mais nobre: a
minha poesia.
Catarina.
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