A VIDA EM PRETO E BRANCO.
As cores e os tons neon da modernidade cintilam até ofuscar minha visão. Nossa era é de imagens, sons e sensações. Tecnologia, movimento, rapidez. Seguindo uma observação antiga feita por uma velho amigo que me dizia: "nunca quero ser incapaz de compreender o mundo em que vivo", tenho eu, na minha crônica ansiedade, curiosidade e avidez pelas descobertas da vida, do tempo e do ser humano, trilhado o caminho dessa compreensão. Considero que, ao menos, modestamente, tenho navegado nesse mundo digital, virtual, acelerado, e porque não dizer, descartável! Apesar de tudo isso, posso eu, numa voluntariedade, por estilo de vida mesmo, me permito, fazer uso dessa magnífica tecnologia disponível, e navegar por uma espécie de máquina do tempo. Sim, faço isso. As vezes compro o passado para poder conviver mais pacificamente com o presente. Hoje mesmo, um dia calmo, onde pude desfrutar de algumas horas do luxo da privacidade e do silencio. Escolhi um filme em preto e branco. Cinema mudo (quem diria, numa época de tanto barulho). Acompanhada da minha fiel xícara de chá, acomodei-me confortavelmente no sofá, fechei as cortinas e comecei minha viagem no tempo. Assiti ao filme O GAROTO, de Charles Chaplin. 68 minutos da mais singela magia. Com a total privacidade de deixar cair uma lágrima de emoção tranquila e uma risada quase infantil. Um filme sem tecnologia 3D, 6D, sem animação digital, sem cor e sem diálogos. textos apenas. Curtísimos. Mas, recheado de arte, de música, de gestos, de olhares e sorrisos. Humor e drama disputam espaço entre a mente brilhante do produtor. Um filme pra rir e chorar. Um filme que mais emociona do que impressiona os sentidos. Um filme que nos faz sentir. Um filme em preto e branco. Talvez como a vida, que para ser bela não precisa de tanto aparato.
Recomendo, que pelo menos de vez em quando, possamos entrar na maquina do tempo e evocar os mais singelos sentimentos. Em preto e branco e... silenciosos, porém cheios de arte.
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